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Governo deve antecipar flexibilização do câmbio

Preocupado com a valorização da taxa de câmbio e sensível a pressão de vários setores da economia, o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, pretende antecipar as vigências do projeto de liberalização cambial que tramita no Congresso. Uma delas é a permissão para que empresas de grande porte (que exportam na casa do bilhão) tenham conta no exterior e façam lá a compensação entre débitos e créditos, ingressando no país apenas o líquido. Outra medida é o fim da cobertura cambial, que obriga o exportador a trazer para o país os dólares de suas vendas externas, com prazo de 210 dias, o que impõe custos desnecessários ás empresas, sobretudo às que não são exportadoras e importadoras ao mesmo tempo.
Não são iniciativas para desvalorizar a taxa de câmbio, mas podem reduzir a volatilidade das taxas e custos das empresas, as quais estão perdendo o dinamismo e a competitividade nas vendas externas, principalmente as de produtos manufaturados que contam com a participação dos salários no Valor de Transformação Industrial (VTI), mesmo com um previsto aumento da demanda internacional pelo crescimento do PIB mundial. Estas são conclusões do estudo apresentado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), que também mostra que enquanto o real valorizou-se 37% em relação ao dólar, a rentabilidade das exportações caiu 25,6% entre 2003 e 2005.

Fonte: Jornal Valor Econômico - 19/05/2006